sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA- ÚLTIMA PARTE

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA (ÚLTIMA PARTE)


O PRONTO ATENDIMENTO
Por: Danilo Antonio dos Santos

Para iniciar, vou deixar a fala do Provedor, Sr. Manoel, em que ele faz um breve resumo do papel e das limitações do Pronto Atendimento aqui em Camanducaia:

MANOEL GARCIA: “O plantonista, como diz o nosso convênio, é para emergências. E 90% das consultas, você pode até olhar em nosso relatório, são ambulatoriais, são consultas triviais. [...] Agora, o hospital não pode negar atendimento; tem de fazer. [...] E esse atendimento desse médico nesse instante, é para emergências, não é para consultas de rotina. Consultas de rotina têm de ser feitas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s). Obviamente que num sábado e domingo, que se não tiver lá (atendimento na UBS), vai no hospital e tudo bem, e mesmo assim, existe essa triagem também (Código de Manchester que já explicamos).”

Sobre a falta de médico:

MANOEL GARCIA: “Como resolver esse problema? Indiscutivelmente que a resposta é muito fácil: é dinheiro. Médico não trabalha de graça. Dinheiro e muito dinheiro. Então, essa que é a nossa explicação pelo que aconteceu e que vai continuar acontecendo."

GESTÃO

MANOEL GARCIA: O hospital é uma entidade filantrópica, particular. Não é da prefeitura e nem do governo. 55% da Saúde, dado estatístico do governo, está em mãos das santas casas de misericórdias do Brasil inteiro. Esse montante já prova que a cidadania se apóia muito nas santas casas, em que as pessoas podem colaborar, ajudar, enfim. Esse dinheiro (160 mil referente ao convênio com a prefeitura), como que ele é distribuído? A prefeitura, ela mantém um convênio com o hospital de Pronto Atendimento Emergencial. A responsabilidade do hospital, em relação ao Estado, que é representado pela prefeitura, refere-se então a um Pronto Atendimento Emergencial. Tudo o que é feito além disso aí, tratamento de doenças, internações, a parte de Traumatologia, a parte de operações e clínica geral que o hospital faz, é tudo como um complemento que o hospital faz para ajudar a população pobre, a população carente a quem usa o SUS. Não é pra gente que tem dinheiro. Então, a instituição tem de ver isso aí, é o tratamento de pessoas com pouco recurso. É essa que é a idéia da instituição. Então, esse dinheiro que especifiquei, é para o Pronto Atendimento Emergencial. O resto é tudo por conta. [...] Nós temos um repasse de 160 mil mensais e o hospital nos custa 260 mil por mês. Esses outros 100 mil Reais são obtidos através do SUS, que a gente paga consultas de médico, curativos... Mias os atendimentos que são baseados nos convênios particulares. Porque muitas pessoas têm convênios nas fábricas onde trabalham. Então o hospital utiliza esse convênio, o qual para o hospital é interessante esse convênio porque o convênio ele paga duas ou três vezes melhor que o SUS.”

Aqui podemos perceber a importância dos convênios particulares que as firmas pagam. Por isso é interessante também, cobrarmos por parte dos nossos representantes, atração de empresas que disponibilizam esse serviço. Não podemos ceder terrenos a empresas que não cumpre metas que venham a beneficiar a cidade. Uma empresa que paga um bom salário aos seus funcionários, de certa forma contribui não somente com a economia local, já que operário ganhando bem, consome bem, mas também principalmente estará desafogando o hospital em relação à sua condição financeira. Isto significa maior recurso financeiro que resultará na contratação de mais médico e na compra de novos aparelhos.

Mais adiante, o Sr. Manoel me explicou que para quem paga os convênios, são reservados quartos particulares. Mas também ressaltou que pessoas que não pagam convênio utilizam quartos particulares em casos de doenças epidemiológicas, contagiosas, em situações que não se pode misturar com pacientes das enfermarias. Mesmo a pessoa não tendo recurso financeiro, o hospital não se nega a prestar esse serviço, se caso necessário.

Outro ponto interessante que foi discutido na reunião, junto ao prefeito e ao provedor, foi a importância dos convênios conjuntos entre 53 cidades. Nesses convênios, cada município contribui com uma porcentagem, que eles chamam de Fundo de Participação Municipal (FPM). No caso, esses convênios servem para que os casos de doenças ou tratamentos que não têm condições de serem resolvidos aqui na cidade por falta de médicos e estruturas específicas. Como bem disse o Sr. Manoel, aqui não temos condições de tratar casos de câncer, por exemplo. Aí o município encaminha esses pacientes aos municípios conveniados e que tem estrutura melhor do que a nossa.

BREVES SOLUÇÕES DISCUTIDAS NA REUNIÃO

Como é muita informação, estou enxugando ao máximo o meu texto para lhes transmitir as principais questões. Na reunião, discutimos brevemente sobre o que NÓS podemos fazer para melhorar a Saúde em Camanducaia. Eu digo “nós” porque isso não é uma responsabilidade apenas dos políticos. Como bem expus em tópicos anteriores e também neste post, o poder municipal e o hospital têm limitações para agir. E entre essas limitações, é óbvio que a principal é a financeira. Como bem sabemos, vivemos em um país no qual o governo corta recursos da Saúde para investir em estádios de futebol e nós acabamos pagando o pato (não o do Corinthians). Pagamos o pato e ainda bateremos palmas no ano que vem por este pão e circo.

Pois bem, na reunião, o vereador Leandro do Jaguary nos apresentou uma idéia de sua autoria. Ele fez um levantamento de quantas unidades consumidoras de energia elétrica há em Camanducaia e chegou ao resultado de +- 11 mil. Se cada unidade contribuísse com 5 Reais, daria 55 mil. O Sr. Manoel disse que com esse dinheiro, poderíamos contratar dois médicos, entre eles, um obstetra, ou seja, as mulheres poderiam dar à luz aqui. Poderíamos ter um médico fazendo atendimentos ambulatoriais e outro médico fazendo atendimento emergencial. Essa idéia do vereador está no papel e está sendo analisada por todos os vereadores. Por enquanto é só uma idéia. Há muito o que se discutir ainda, como por exemplo como a população vai acatá-la. Para quem quiser saber mais, procure o vereador citado.

Eu, sinceramente, antes era contra a cobrança na taxa de luz em benefício à Saúde, mas depois da reunião na qual pude ter conhecimento de como é gerido o hospital, passei a ter uma opinião contrária. Como disse acima o Sr. Manoel, o hospital nos presta serviços que vai além do que pagamos a ele. Portanto, nada mais justo do que começarmos a pensar em como ajudá-lo. O provedor, pelo que pude perceber, é um excelente administrador, presta conta mensalmente a todos nós por intermédio da Câmara. Por isso vale a pena sim mantermos o convênio e colaborar. No próprio facebook ando lendo idéias de comerciantes que se disponibilizam a colaborar de diversas formas. Os próprios vereadores, que erroneamente eu pensava não estarem por dentro dos problemas, eles estão agindo. Segundo o próprio provedor, os atuais vereadores são irmãos da Santa Casa e participam das reuniões. Por isso o provedor faz questão de prestar conta de tudo e não somente ao que se refere ao convênio com a prefeitura.

O prefeito também se reúne semanalmente com todos os secretários paa discutir os problemas e soluções, principalmente para a Saúde. Está tentando mais recurso do Estado e também maior proveito dos convênios municipais. O prefeito não tem a liberdade de aumentar o repasse do atual convênio porque tem limitação orçamentária amparada por Lei. Isso quer dizer que ele não pode ficar alocando recursos de uma pasta para a outra quando lhe der na telha, assim como o vereador também não tem flexibilidade para criar projeto de Lei que venha alterar em demasia a parte orçamentária.

Bom, espero que vocês tenham gostado do blog. Devemos colocar este assunto mais vezes em pauta. Gostaria de agradecer a todos e a todas que estiveram presentes na reunião. Gostaria de me desculpar aqui e publicamente com o médico Mazinho pela primeira matéria que fiz. Como absorvi um pouco das emoções populares, acabei reproduzindo o que as pessoas me disseram naquele dia, sem eu ter real conhecimento do que havia se passado.
Obrigado a todos pela atenção! 

     

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA- PARTE 3

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA (PARTE 3)

Por: Danilo Antonio dos Santos


O HOSPITAL E O SUS

No tópico anterior, mostramos um pouco da turbulência financeira pela qual o hospital passou por mais de uma década. Quase chegou à falência, se não fosse a ajuda do município, que deixou de finalizar um prédio para alocar recursos para a Santa Casa. Bom, agora vou falar um pouco de como o hospital se mantém e do papel do SUS.
Tanto o governo Federal como o governo Estadual, repassam migalhas para os municípios, porém exigem dos municípios uma porcentagem em investimento em Saúde que na maioria das vezes não condiz com a realidade orçamentária. Em um município como o de Camanducaia, que ainda não se desenvolveu economicamente, ficamos muito a mercê de poderes superiores, principalmente na questão da saúde pública. Como dissemos no tópico anterior, o município de Camanducaia não conseguiria manter um hospital por conta própria, pois isso significaria aumentar a folha de pagamento, além de comprar toda a aparelhagem. Isso custa caro e a realidade orçamentária de Camanducaia deixa a desejar neste sentido. Infelizmente é assim. Portanto, é bom você saber disso para não cair naquelas propagandas eleitorais nas quais os políticos prometem o impossível. Mas logicamente que os problemas com a saúde não podem ser creditados apenas à questão financeira, mas também a questão da gestão. Mesmo com baixos recursos, se tivermos uma boa gestão podemos ter uma saúde pública de qualidade. Como bem disse o prefeito Edmar Dias, até certo ponto é financeiro, mas depois o problema pode ser por gestão. Por isso é importante obtermos informações, conhecimentos dos problemas, para criarmos soluções. Isso é o que estamos tentando fazer com estas publicações no blog.
Bom, vamos falar do SUS e o hospital. Sobre isso, posso dizer a vocês que os atendimentos pelo SUS aqui em Camanducaia são sempre deficitários. O hospital sempre atende mais do que o SUS paga. Como exemplo do problema, citarei a vocês um relatório do mês de maio. Lembrando que o atual provedor manda um relatório bem detalhado todo mês à Câmara Municipal. Os vereadores têm acesso aos dados tanto técnicos quanto financeiros de tudo o que  o hospital faz, inclusive com o dinheiro que não é proveniente do convênio municipal. Só para vocês terem uma idéia, o relatório que tenho em mãos tem 12 páginas. É do botar inveja em qualquer prestação de contas que estamos acostumados a ver. O relatório se inicia com a seguinte informação:
“O hospital continua a produzir pelo SUS além da cota física e orçamentária.”
Mais adiante:
“(Consultas no Pronto Atendimento) foram realizadas em maio 2.309 consultas (cerca de 76 por dia) sendo 1.839 pelo SUS, ou seja, 1.239 a mais do que previsto na PPI. Se considerarmos o seu valor unitário médio previsto no sistema do SUS (R$ 11,00) a entidade deixou de receber R$ 13.629,00. A maioria deste excedente são consultas que poderiam ser realizadas nas UBS’s.”
Como podemos perceber, a maioria dos atendimentos passa pelo SUS, mais até do que o governo repassa. Isso gera déficit porque o hospital não nega atendimento, seja você pobre ou rico. Por isso é bom termos bom senso e conhecimento. Digo bom senso porque há muitos casos de pessoas que faltam ao serviço porque bebeu demais na festa do dia anterior, e vão ao hospital pegar receita para justificar a falta. Isso, além de caracterizar péssimo hábito, onera ainda mais uma entidade que tem como fim salvar vidas em casos emergenciais. Se você vai lá pegar atestado, você usou repasse do governo que poderia estar beneficiando quem realmente precisa. Por isso, vá ao hospital quando realmente for necessário.
Dando continuidade ao relatório:
“Nos itens 2 e 3 destacamos a realização de procedimentos gerados pelo Pronto Atendimento, cuja maioria extrapola a quantidade prevista na pactuação com o SUS. Para alguns deles nem existe pactuação, como é o caso de aplicações de medicação (1.681 aplicações), inalação (151 realizadas) e curativos (61 realizados), que no custo médio de R$ 5,32 perfazem um montante de R$ 10.070,76 que não foi recebido.”
Caso vocês queiram ter acesso ao relatório, basta irem à Câmara e solicitarem uma cópia. Minha intenção aqui é mostrar a vocês a questão da falência do SUS não só em Camanducaia, mas posso dizer que no Brasil todo. Por isso é de fundamental importância todos na sociedade pensar em idéias e sugestões. Eu iria falar aqui das UBS’s e da sua importância para amenizar o problema deficitário em relação aos atendimentos no hospital, mas isto vou investigar em um momento oportuno. Não podemos dissertar sobre um tema sem antes investigá-lo.
Para finalizar este post, citarei as notas importantes do relatório:
“Mais de 60% dos atendimentos não são de urgência ou emergência e poderiam ser resolvidos nas unidades básicas de saúde (UBS).
Apesar de manter um pediatra para dar suporte ao Pronto Atendimento, a produtividade gerada (21 atendimentos) não é recebida.
Boa parte dos curativos, inalações e aplicação de medicação são realizadas em dias e horários em que as UBS não funcionam.
Procedimentos como medir pressão arterial e glicemia capilar também não são remunerados.”
No próximo post, falarei sobre os problemas relacionados à falta de médicos e sobre o papel do Pronto Atendimento. Obrigado a todos pela atenção! Abaixo, deixo uma ilustração do caos que aqui resumi. 


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA- PARTE 2

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA (PARTE 2)


Por: Danilo Antonio dos Santos

A QUESTÃO FINANCEIRA

Quando postei a primeira matéria, um ex-membro da diretoria do hospital, mais especificamente um ex-vice provedor, comentou no facebook que a Prefeitura devia cerca de R$ 4.000.000,00 à entidade. Segundo o provedor atual, Sr. Manoel, essa informação não é verdadeira, uma vez que a dívida atual gira em torno de +- R$ 200.000,00. Acrescenta ainda que a prefeitura não deve ao hospital Vou explicar o porque. Para isso, teremos que voltar alguns anos no tempo, mais especificamente em meados da década de 1990. Abaixo, transcreverei a fala do prefeito Edmar Dias:

EDMAR DIAS: “Naquela época o hospital passou a ter problemas financeiros e ficou com o nome sujo. Aí o que aconteceu? A prefeitura não podia, como ainda não pode, FAZER CONVÊNIO com qualquer instituição que não tem o nome limpo no CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Então não podia repassar o dinheiro para o hospital.”
A partir do momento em que o hospital passou a ter o nome sujo por dívidas trabalhistas, a prefeitura estava impedida legalmente de manter convênio. Isso quer dizer que a prefeitura, ao não se conveniar por uma questão legal, amparada por legislação, ela não ficou devendo ao hospital. Ela apenas deixou de ser conveniada. Como a dívida foi aumentando, outros prefeitos deixaram de se conveniar pelo mesmo motivo. Conforme outras diretorias foram quitando as dívidas, o hospital foi ficando com o nome limpo e os prefeitos passaram a fazer novamente o convênio com a instituição. As dívidas com o INSS, segundo o Sr. Manoel, estão sendo pagas em parcelas ao governo. E segundo o prefeito Edmar Dias, foi na gestão do ex-prefeito, Célio de Faria Santos, que a situação se regularizou.  

MANOEL GARCIA: “A prefeitura nunca deveu quatro milhões para o hospital. Isso não é verdade. Primeiro, a dívida do hospital hoje em dia, ela não chega a duzentos mil Reais. Nós conseguimos nos últimos oito anos, mais esta nova administração com a prefeitura, nós conseguimos eliminar praticamente todas as dívidas do hospital. A dívida que nós temos é uma dívida com o governo, que se chama INSS na qual, nessa época que o prefeito especificou, não foi paga. Então, essa dívida, que na verdade essa dívida é oitenta mil Reais, só que com juros e correção essa dívida hoje em dia está em duzentos mil. E essa dívida, hoje nós já estamos com ela no papel para podê-la pagar. Estamos pagando uma prestaçãozinha pequena que é para falar assim ao governo: ‘Devo, não nego e pagarei quando puder.’ Então, é neste esquema que nós estamos. Então, a dívida Real do hospital hoje em dia não passa de duzentos mil Reais. Graças à outra administração que nos cedeu a Câmara que nos cedeu dinheiro, naquela época pararam de construir seu prédio (prédio que era para ser a nova Câmara Municipal) para ajudar o hospital. O que eu fiz com esse dinheiro? Eu não saí contratando médicos adoidado. Eu saí tentando liquidar as dívidas com o governo porque o próprio governo ele se nega depois a te dar um repasse, te dar uma ajuda ou fazer uma intervenção a seu favor, se você está com dívida com ele. Então, primeiro você tem que estar limpo com o governo. Se você não der dinheiro para o governo então você não vai receber nada. Então essa foi a minha primeira preocupação: ficar livre dessa dívida. A prefeitura, como ordem do Estado, ela não pode fazer um convênio com um órgão que está falido, que está inadimplente. Por isso que nessa época não foram feitos convênios com o hospital. Quero deixar bem claro o que é convênio. Convênio não é repasse, não é ajuda. É um convênio, ou seja, o hospital presta um serviço para a prefeitura, que tem um preço X.”

Esse convênio ao qual o Sr. Manoel se refere, são os atuais R$ 160.000,00 que a prefeitura repassa mensalmente. Esse dinheiro é usado na manutenção do pronto atendimento. A prefeitura faz esse convênio com o hospital já possui uma estrutura e aparelhagens, além de pessoal capacitado que não entra na folha de pagamento da própria prefeitura. Para a prefeitura esse convênio é mais econômico do que se o próprio município mantivesse um hospital por conta própria. Bom, em relação à parceria hospital/prefeitura, trarei a vocês mais detalhes nas próximas postagens. Além de explicar também como o hospital funciona administrativamente. Obrigado a todos pela atenção! 

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA- PARTE 1

A SAÚDE EM CAMANDUCAIA (PARTE 1)

Por: Danilo Antonio dos Santos

No dia 30 de julho recebi uma chamada no celular. Do outro lado da linha, um cidadão solicitando minha presença na Santa Casa para que eu fizesse uma matéria sobre a enorme fila do SUS. Peguei minha câmera fotográfica e meu gravador de voz, e fui lá ao hospital. Chegando no local, a situação era realmente como o cidadão havia me descrito: pessoas aguardando por atendimento desde a manhã. Era 5:15 da tarde quando eu cheguei. As pessoas estavam revoltadas, vociferando contra o médico plantonista, políticos e recepcionistas. Assim que gravei as entrevistas, postei a matéria neste blog. Não demorou muito, vários comentários começaram a surgir no facebook. Os internautas começaram a apontar culpados, soluções e etc. No dia seguinte de manhã, falei com o prefeito pelo celular. Estava determinado a ouvir a outra versão da história. Então eu combinei com o prefeito para que marcássemos uma reunião com o provedor do hospital, vereadores, secretária da saúde e demais autoridades envolvidas com a Saúde.  Realizamos a reunião no dia 05,- que por coincidência, foi o Dia Nacional da Saúde- na Prefeitura Municipal, às 14:00 horas. Estiveram presentes: Edmar Dias (Prefeito), Angelita Streicher Abráscio (Secretária da Saúde), Osmair de Gois Messias (Presidente da Câmara, mais conhecido como Nenê do Supermercado), Leandro Lopes de Toledo (Vereador Leandro do Jaguary), Edivaldo Batista Marquez (Vereador Eidi), Sérvulo Henrique de Campos Guimarães (Vereador Servão), Manoel Fernando Mosqueira Garcia (Provedor da Santa Casa), Wanessa Cristina de Carvalho (Enfermeira da Santa Casa), Daniele Barbosa (Encarregada Administrativa da Santa Casa).


METODOLOGIA

Antes de iniciar a relatar sobre o que foi discutido na reunião, vou dissertar brevemente sobre a metodologia que usei. Eu gravei integralmente em áudio o que foi falado na reunião. Foram quase duas horas de conversa. Como muitas pessoas estavam participando, seria muito cansativo para eu transcrever tudo, além de que seria cansativo também para você, leitor. Portanto, transcrevi apenas o que é essencial para entendermos o todo. O que não transcrevi, farei uma articulação, colocando tudo no contexto do que foi discutido. Quero deixar bem claro que nesta matéria não há nada manipulado. Por isso tenho o áudio como prova real do que aqui você vai ler. Na transcrição, prefiro seguir com fidedignamente o que está no áudio. Portanto, não repare em erros de concordância nominal ou verbal.

CONTEXTUALIZANDO A MATÉRIA ANTERIOR

Neste tópico vou contextualizar a matéria anterior, colocando o ponto de vista do administrador e dos funcionários da Santa Casa. Segundo o Sr. Manoel, provedor, nos dias em que o médico Mazinho está de plantão, o hospital lota. Isso porque, segundo o provedor e pacientes, o médico em questão tem uma excelente eficiência nos diagnósticos. Então, muitas pessoas preferem se consultar especificamente com ele. No dia em que fiz a matéria, era o médico Mazinho que estava de plantão. Mas além disso, aconteceram outros problemas que corroboraram para que a fila aumentasse: naquele dia houve muitos casos emergenciais, nos quais o médico plantonista teve que dedicar seu tempo. Cito aqui o caso de uma mulher de Monte Verde que estava enfartando e o médico tinha que estar aplicando medicamentos e monitorando constantemente. Como havia apenas um médico no hospital, os casos ambulatoriais, ou seja, menos graves, tiveram que aguardar os emergenciais serem resolvidos.

Essa postura do hospital em relação aos critérios de atendimento, tendo como base a gravidade da doença do paciente, segue o chamado Código de Manchester. Todo hospital do Brasil segue este código. Mas o que é o Código de Manchester? É o que vou explicar resumidamente para vocês.  Citarei abaixo o texto explicativo formulado pela enfermeira Wanessa, responsável pela triagem.

 “O Grupo de classificação de risco de Manchester teve origem, como o nome indica, na cidade de Manchester, na Inglaterra em 1994, com o objetivo de estabelecer um consenso entre médicos e enfermeiros para a padronização da classificação de risco nos serviços de urgência e emergência. No Brasil os sistemas de triagem foram recomendados pela primeira vez em 2002 na portaria GM 2048 sobre a organização dos sistemas de urgência.
A Classificação de risco é realizada por uma enfermeira de nível superior treinada para atuar com auxilio de um computador especifico disponibilizado pelo governo, em que classifica as queixas por cores que indicam a prioridade clínica de cada paciente. O método consiste em identificar a queixa principal do paciente, definir a condição apresentado e procurar sinais e sintomas em cada nível de prioridade clínica.
Ao dar entrada em uma unidade de saúde o paciente é classificado, recebendo uma prioridade que determina o tempo alvo para o primeiro atendimento médico, essa prioridade é baseada na situação clínica apresentada e não na ordem de chegada.
(Referência: JUNIOR, C. W.; MAFRA, A. A. Sistema de Manchester de Classificação de Risco: Classificação de Risco de Urgência e Emergência. 1ª Ed. Grupo Brasileiro de Classificação de Risco, Setembro, 2010.)

Tendo conhecimento de como funciona o gerenciamento do atendimento, podemos chegar à seguinte conclusão: segundo as enfermeiras, as pessoas que aguardavam na fila naquele dia não se enquadravam nos casos emergenciais, de acordo com a metodologia usada no processo de triagem. Fato é que as pessoas que lá estavam aguardaram pelo atendimento sem nenhum prejuízo à saúde ou risco de morte.
Como tenho limites de caracteres no blog, darei continuidade sobre os outros tópicos em outras postagens. Assim que eu terminar tudo, postarei neste primeiro post todos os links referentes aos outros. Minha intenção é disponibilizar a todos vocês os maiores detalhes possíveis: sobre a condição financeira, procedimentos técnicos, parcerias com o poder público e privado por meio de convênios, a atuação do Estado e etc. Espero que todos entendam. Obrigado pela atenção!

terça-feira, 30 de julho de 2013

PACIENTES AGUARDAM POR HORAS EM FILA DE HOSPITAL

PACIENTES AGUARDAM POR HORAS PARA SEREM ATENDIDOS NA SANTA CASA DE CAMANDUCAIA

POR: Danilo Antonio dos Santos


Eram quase cinco horas da tarde quando recebi uma chamada no celular. Do outro lado da linha, um cidadão me chamando na Santa Casa para que eu fizesse uma matéria sobre o desespero de mais ou menos 100 pessoas que não conseguiam atendimento médico. Chegando lá, a situação era realmente desesperadora. Crianças, jovens, homens, mulheres e idosos aguardavam desde manhã por um simples atendimento. Muitos deles, não aguentando mais esperar, iam embora. As atendentes recebiam as queixas de revoltas dos que ali estavam, mas como sabemos, elas não têm nenhuma culpa. Apenas estavam ali para cumprirem ordens. Segundo testemunhos, havia apenas um médico de plantão. 

Atualmente é de conhecimento de todos nós a deficiência do sistema de saúde brasileiro. Um sistema que caminha cada vez mais para a mercantilização da vida, onde vive mais quem pode pagar mais. Os médicos do país, não todos, não querem atender em cidades do interior e quando o fazem, tratam as pessoas como se elas fossem uma "coisa qualquer". O que vemos nos hospitais brasileiros é uma total falta de respeito para com a vida. Não que eu tenha presenciado isso aqui em Camanducaia, mas pude perceber um médico mais preocupado com as horas do seu plantão do que com as pessoas que ali esperavam. Mas não podemos culpabilizar o médico, pois ele reproduz aquilo que o sistema exige. O sistema, o sistema exige quantidade e não qualidade. O sistema não nos enxerga como seres humanos. Ele nos enxerga como "contribuintes", possuidores de números os quais acreditamos ser nossa identidade. Você, eu e nós, somos vistos como acessórios para manter a "máquina" funcionando, por isso, quando doentes, somos descartáveis. 

Abaixo, deixo alguns depoimentos que gravei em áudio e depois transcrevi. Espero que gostem do blog. Obrigado a todos! 

TEREZA SILVA: Eu estou com a minha menina desde ontem aqui, ela está com forte infecção de urina. Pediram exame, não deu remédio nenhum pra tirar a dor, fiquei esperando até agora esperando sair o resultado e diz que não vai me atender; e com bebê ainda no colo. Eu sou da roça, moro no Campo Verde. Vim com carona com os outros pra poder chegar aqui e não ser atendida. Não tinha médico e agora não quer atender também. Eu estou com ela (filha) e com a bebezinha no colo, minha filha com dor e diz que não vai atender ainda. Isso é um absurdo! Isso tem que ser mudado. Tem médico e não quer atender!

NEIDE RODRIGUES MACIEL: Eu cheguei eram 8 horas da manhã pra ser atendida e já tem mais de 100 pessoas. Muitos já foram embora, estou sem almoçar. Um senhor de 90 anos de Monte Verde, veio e foi embora porque não tinha dinheiro pra pagar taxi e ia de Tupic. Ele precisou ir embora e não foi atendido. E aqui nós estamos até agora aqui (17:22 horas), o médico acabou de falar “Não vou atender todo mundo porque o meu horário é às 19:00 horas. Reclame lá na porta!” Essa é a situação nossa aqui de Camanducaia, que todo mundo saiba! Eu estou aqui pela primeira vez, sou professora do Município e estou totalmente arrasada de ver como que o povo é tratado aqui. É a primeira vez que eu estou passando por esta situação. Mas eu estou feliz porque eu pude sentir na pele juntamente com eles o que eles passam aqui, quem não tem dinheiro pra pagar a consulta. Não querem atender porque chega emergência e é um médico só. Então fica uma situação organizada entre eles lá. Nós não sabemos porque que eles aceitam uma situação de ficar um médico só.

MANOEL DE MORAES: O problema meu é problema de próstata. Eu estou lutando, faz tempo que estou lutando. Estou só esperando uma guia dele (médico) pra levar pro Dr. Luís. Tem que ter autorização dele pro Dr. Luís lá de Extrema poder organizar. Faz dois meses que eu estou lutando e fiz exame e o médico disse que o problema meu só resolve com uma cirurgia com urgência. Então o médico está me enrolando e chegou uma hora eu fui num médico em Pouso Alegre e ele pediu R$ 12.000,00 pra fazer a cirurgia. Como eu não posso pagar, que a gente vive da aposentadoria, então eu estou indo nos médicos tudo aí e lutando, um joga pra um, um joga pra outro.

ELZA DA SILVA PÉREZ: O problema é com o meu marido. Ele está com as mãos amortecidas, com as pernas amortecidas, pressão alta. Chegou aqui ontem, tomou injeção, mandaram ir embora e mandaram vir hoje. E daí chega aqui hoje, faz o Raio-X e está aqui até agora esperando. E pra ele sair dali não sei como nós iremos tirar ele dali porque tem que levar ele segurando pelo braço pra procurar um taxi pra levar ele embora ainda, porque carro eles não dão pra irmos embora. Desde às 09:00 horas aqui.

VICENTE DA MOTTA PAES: Eu vim pra passar no médico aqui às 6 horas da manhã pra marcar e estou até agora esperando. E acho que vou desistir, vou embora.. O problema meu é um pelote que saiu aqui (nas costas) faz uns cinco anos e agora ta começando a doer. Então eu quero ver o que está acontecendo.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

JOGOS ELETRÔNICOS E ENSINO DE HISTÓRIA: NOVAS TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA

JOGOS ELETRÔNICOS E ENSINO DE HISTÓRIA: NOVAS TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA


Os jogos eletrônicos, muitas vezes vistos com maus olhos por segmentos conservadores da sociedade como sendo componentes indutivos ao comportamento violento dos jovens, são abordados de maneiras positivas por novos pesquisadores da Educação. Um desses pesquisadores, nos cedeu entrevista apontando como os jogos eletrônicos podem ser usados em sala de aula como um meio auxiliar e lúdico, proporcionando maior interesse do aluno pela Disciplina de História. Entrevistamos o professor/pesquisador Cassio Rafael Maritns Santos, graduado no curso de História pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), Pouso Alegre- MG. Cassio Rafael desenvolveu sua pesquisa sob orientação do Professor Ms. Juliano Hiroshi. 


 Danilo: Fale-nos resumidamente da pesquisa que desenvolveu sobre os jogos eletrônicos no ensino de História.

Cássio: A tecnologia desenvolve-se a passos largos e, em um contexto no qual as chamadas Novas Tecnologias fazem parte de nossa experiência diária, em minha monografia intitulada “O Jogo Eletrônico ‘Rome: Total War’ Como Método Auxiliar no Ensino de História” procura demonstrar, a partir da análise do jogo para computador “Rome: Total War”[1], ambientado na Roma Antiga, como o professor de História pode, através do uso desta tecnologia e da análise de seus conteúdos e imagens, detectar semelhanças, diferenças, valorizações e ocultações que possam ser utilizadas, sob um viés comparativo, junto a livros didáticos de Ensino Fundamental e Médio, revistas especializadas e livros de teor geral, buscando ilustrar um possível diálogo entre jogos eletrônicos e a disciplina de História. A discussão sobre tais tecnologias e métodos foi de fundamental importância para a compreensão do papel a ser desempenhado pelos educadores bem como sobre modos de inserção visando produzir novos métodos que busquem a melhora da qualidade do Ensino de História, trazendo o aluno mais próximo da disciplina, tornando-a mais dinâmica e prazerosa. Inicialmente, a metodologia utilizada para a analise do conteúdo do jogo foi o método comparativo interdisciplinar que visa à compreensão de aspectos implícitos e explícitos no jogo de forma a auxiliar o entendimento do estudante sobre Roma Antiga, destacando-se como um exemplo disso a aproximação com a disciplina de Geografia como modo de obter uma compreensão mais ampla dos aspectos que contribuíram para a expansão de Roma e que acabaram por moldar a sociedade romana em sua cultura, religião, política e, por que não, em suas relações de poder.
Danilo: O que te motivou a pesquisar esse tema?
Cássio: A motivação para a realização dessa monografia foi a grande afinidade com os jogos eletrônicos que vem desde a infância. Tendo essa experiência de jogar e estar diretamente ligado ao mundo tecnológico (por também ter formação na área de informática) e, em especial, dos jogos eletrônicos, foram facilitadores para o engajamento, neste trabalho. Com a possibilidade de inserção no meio acadêmico, como estudante e pesquisador na área de História, pôde vir também a convicção de que essa interatividade entre jogos eletrônicos e história é possível. Desde a infância esse contato com jogos eletrônicos oportunizou o acesso a diferentes plataformas como: Atari, Super Nintendo, Playstation e também jogos para computadores, ou seja, fica claro o acompanhamento desse desenvolvimento num longo período de tempo. Um tema que sempre instigou a curiosidade foi à relação entre os jogos com conteúdos históricos, alguns simples, outros muito bem elaborados. Podemos dizer que somos parte integrante de toda essa geração adepta aos meios tecnológicos, em específico, os videogames e jogos eletrônicos. Sendo assim, e partindo desse pressuposto, compreende-se a importância das experiências pessoais vividas na formulação de algumas questões que envolvem a relação entre os games com a disciplina de história que achei passível de estudos dentro deste trabalho de conclusão de curso.

Danilo: Como você encara as críticas de que os jogos eletrônicos, não todos, mas alguns deles induzem comportamentos violentos nos jovens?
Cássio:  A polemica acerca dos jogos eletrônicos está longe de acabar, diria que está em constantes embates no que se diz respeito principalmente a sua utilização na educação. Foi importante buscar nas leituras para construção do trabalho, alguns aspectos relacionados à violência, profundamente discutida no que diz respeito aos jogos eletrônicos, pois muitos aderem ao pensamento de que a violência vivenciada nos games influencia no aspecto social da criança e do adolescente. Por experiência própria, posso dizer que os fatores que levam a membros da sociedade a praticarem a tal violência estão muito mais além do simples fato dos jogos transmitirem tal influência negativa. As questões psicológicas ou sociais em que o indivíduo vive estão muito mais ligados e propícios ao ingresso de crianças e adolescentes na violência. Essa forma de pensar a respeito dos games é o motivo, muitas vezes, da grande resistência dos pais, das escolas e educadores.
Danilo: Qual a sua opinião sobre a precariedade do ensino público brasileiro? Quais as chances de inserirmos os jogos eletrônicos em escolas que carecem de recursos financeiros, tendo em vista que essas mídias não são acessíveis a todas as camadas sociais?
Cássio: Essa é uma questão que foi constantemente debatida na construção desse trabalho. Sabemos que o ensino público carece de infraestrutura nos mais diversos setores, desde ensino de qualidade, como salas de aula, segurança, até os salários de professores, por exemplo. A inserção dos jogos que propomos no trabalho inicialmente é pela utilização de imagens e conteúdos escritos justamente por esse motivo, muitas escolas têm equipamentos de informática, porém, mal são utilizados, ou já estão ultrapassados, isso quando a escola tem esses equipamentos. Dessa forma, nesse primeiro momento, utilizamos esses recursos como ferramentas que auxiliem os professores e que o acesso para os alunos também seja possível. É um trabalho que requer tempo, disponibilidade do professor em querer aprender e renovar o meio com uma nova metodologia que instigue os alunos e os levem a participar, pesquisar, debater etc. Vale ressaltar que a inserção de tais jogos dentro da escola não quer dizer que as aulas serão totalmente dedicadas a apenas jogar, não. Aqui pretendemos mostrar como podemos dinamizar e tornar mais atrativo o ensinar. Buscamos fazer com que o aluno procure, através dessa interatividade, pesquisar sobre os temas relacionados ao jogo, tornando-se hábito. Trata-se de uma forma de iniciar o interesse do aluno pelo tema, assim, continuarão jogando em casa e fazendo analogias com o conteúdo escolar, não somente em um tema em história mais nas diversas disciplinas existentes.  Em contrapartida, os professores têm que se preparar e se reciclar para tornar tais atividades possíveis. É preciso quebrar essa resistência para melhorarmos enquanto educadores.
Danilo: Por acaso já existem projetos educacionais voltados aos jogos eletrônicos aqui no Brasil? Se existem você poderia nos fornecer dados sobre os ganhos adquiridos?
Cássio: Em meu trabalho busquei informações de jogos que fossem voltados para a educação e tive uma grata surpresa, no nosso próprio país temos projetos realizados com conteúdos educativos e que foram já utilizados em escolas. Dentre esses projetos destaco os realizados pela UNEB[2]. Merecem grande destaque nesse tema, tendo em vista que em seu centro de pesquisa foram criados projetos de Jogos Eletrônicos Educativos. Até o momento a Universidade criou dois jogos educativos, um chamado “Tríade”[3], que se passa na França, contando fatos sobre a Revolução Francesa, no qual o personagem é um agente presente dentro dessa revolução. Já o segundo jogo desenvolvido se chama “Búzios, Ecos da Liberdade”[4] que se passa no Brasil e conta um pouco da história sobre a Revolta dos Alfaiates, ocorrida em meados do século XVIII. Em ambos, o papel do historiador foi fundamental, pois é ele quem escreve todo o roteiro histórico do jogo. Outras áreas como a de informática, por exemplo, ficam com as partes de programação e desenvolvimento virtual do jogo. Pude observar que o Brasil já vê com bons olhos a inserção dos jogos na educação e estamos nos movendo diante das possíveis e interessantes mudanças que possam vir a ocorrer no ensino daqui a alguns anos.







[1] “Rome: Total War” em Português, “Roma: Guerra Total”.
[2] UNEB. Universidade do Estado da Bahia.
[3] Site Comunidades Virtuais – Jogo: Tríade:< http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/triade/equipe.htm>
[4] Site Comunidades Virtuais – Jogo: Buzios Ecos da Liberdade: <http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/buzios/>

quinta-feira, 25 de julho de 2013

PRESIDENTE DA CÂMARA FALA SOBRE REPASSE DE 200 MIL À ESCOLA DE SAMBA

PRESIDENTE DA CÂMARA FALA SOBRE REPASSE DE 200 MIL À ESCOLA DE SAMBA

Osmair de Gois Messias, mais conhecido como Nenê do Supermercado, nos cedeu entrevista falando sobre os eventos festivos que ocorrerão nos próximos dias.


No último 22 deste mês, fomos à Câmara Municipal entrevistar o vereador Nenê do Supermercado, para que ele respondesse algumas dúvidas levantadas nas redes sociais e que vem gerando muita polêmica. Portanto, nosso intuito é levar até você informação, expondo outras versões. Cabe destacar, que esta nossa postagem é a primeira sobre o tema. Temos muito trabalho pela frente, no qual entrevistaremos mais pessoas envolvidas com o assunto e investigaremos em documentos oficiais. Não temos por objetivo caluniar ninguém. Apenas estamos cumprindo nosso papel de trazer à tona opiniões divergentes, para que você leitor, também possa opinar, porém ouvindo o outro. Nas próximas postagens, anexaremos fontes oficiais junto às entrevistas. 

Ao realizarmos a entrevista que aqui está, não tínhamos em mãos nenhum documento oficial. Portanto, não reparem se alguns números não baterem. Em primeiro lugar devemos procurar respeitar a voz de quem nos cede a entrevista, tendo consciência de que o conhecimento dos fatos é limitado.

A entrevista foi gravada em áudio e posteriormente transcrita. Depois a transcrição foi devidamente lida e autorizada pelo entrevistado antes de aqui postarmos. Antes de tudo, priorizamos a ética pela pessoa a qual entrevistamos. Obrigado a todos pela compreensão e espero que gostem do blog.

  Entrevistador: Danilo Antonio dos Santos
Local: Câmara Municipal de Camanducaia.

Danilo: Segundo o Projeto de Lei enviado pelo Executivo, o município estaria economizando R$ 200.000,00, se comparado aos eventos anteriores. Porém, segundo os críticos das redes sociais, o município estaria gastando recursos públicos usando maquinários e servidores públicos na montagem da estrutura festiva, sendo que a bilheteria da festa vai ficar com a VR. Como então a prefeitura estaria economizando?

 Osmair: Então, pelo borderô das festas dos outros anos passados, a prefeitura fez um investimento de R$ 380.000,00 né? E deu pra comissão da festa estar gastando esse dinheiro na festa do ano passado, e o que sobrasse desse dinheiro que não fosse gasto, seria revertido para a APAE. Como, no entanto se eu não me engano, foi R$ 142.000,00 que não foram gasto. Foi investido R$ 380.000,00. Retirou R$ 140.000,00 que não foram gasto, sobrou R$ 240.000,00. Esses R$ 240.000,00 foi investido na festa e quanto aos servidores que estão trabalhando, maquinário na festa, esse ano, também foram utilizados na do ano passado. Aí que é o “X” da questão. A diferença do investimento de R$ 200.000,00 hoje pra R$ 240.000,00 do ano passado, é que ele (prefeito Edmar) teve essa economia, só que este ano estaria realizando 4 shows e no ano passado foram 2 shwos. Entendeu?

Danilo: Pra ser mais específico, qual será o retorno financeiro deste ano?

Osmair: O retorno financeiro deste ano... no ano passado, a prestação de contas, que eu me lembro, que eu tenho acompanhado, o investimento deste ano de R$ 200.000,00 vai ser pra Mocidade Independente da Escola de Samba, e a festa do Baile da Rainha não está incluído nesse borderô do ano passado. O lucro da Festa da Rainha onde foi parar? Eu não fiquei sabendo. E este ano, a Mocidade vai ficar incumbida de fazer a festa e com o lucro da Festa da Rainha, o lucro é pra eles. Então vai ficar a receita do Baile da Rainha com a Mocidade Independente pra fazer futuros carnavais em Camanducaia. Para eles terem um caixa pra fazer futuros carnavais em Camanducaia.

Danilo: Como o Legislativo pretende fiscalizar os gastos desse repasse à Unidos do Samba?

Osmair: Então, eu conversando com o chefe de gabinete, o Bruno, eu falei assim: “Ô Bruno! Antes da gente fiscalizar (os vereadores), como que vai ser feito isso? Porque ao meu ver, a escola de samba, por não ter feito nunca um trabalho desse de organizar uma festa de peão, Como que iria ser feito?” Aí que o Bruno passou pra mim que quem que iria fiscalizar junto com a Mocidade Independente, que é a escola de samba, era uma comissão que iria fiscalizar os gastos desses R$ 200.000,00. E não iria deixar só para a Mocidade Independente de estar fazendo a festa, soltando tudo na mão deles que, eu achava que por eles nunca terem feito uma festa nesse porte, que a comissão que já tinha uma bagagem de estar fazendo esta festa em conjunto com a comissão que ia administrar esse gasto. E futuramente, depois do dinheiro gasto que ia ser repassado para a Câmara dos vereadores está fiscalizando onde foi gasto esse dinheiro.

Danilo: Então vai ter uma comissão junto aí.

Osmair: Tem a comissão trabalhando junto com a Mocidade. Porque a minha preocupação quando eu conversei com o Bruno, foi: como iria dar R$ 200.000,00 para a Mocidade? Não estou dizendo que eles (Mocidade) não eram capazes, mas eles nunca tinham feito uma festa dessas. Aí foi feito uma comissão junto com a Mocidade que está organizando a festa.

Danilo: E por que não poderia repassar esse dinheiro direto para a comissão?

Osmair: Então, se passasse pra comissão, aí cairia no mesmo caso dos outros anos passados. O ideal que o prefeito fez de estar fazendo esta contribuição social para a Mocidade, é a Mocidade ter o seu dinheiro pra ela investir na ação social que é o carnaval dos próximos anos. Porque todos os anos, quando chega o carnaval, vai a Mocidade bater na porta do prefeito pra requerer dinheiro pra fazer o carnaval da cidade. Então, dando essa oportunidade pra eles fazerem a festa, eles estão tendo um ganho pra ser gasto nos futuros carnavais de Camanducaia.

Danilo: Então depois dos eventos que ela vai prestar contas à Câmara?

Osmair: Vai prestar contas pra Câmara de vereadores.

Danilo: Mas nesta prestação de contas vocês terão acesso às notas fiscais?

Osmair: Com certeza! Vamos ter acesso às notas fiscais. Como vai ser terceirizada praticamente a festa, só os shows, a incumbência da Mocidade é de estar fazendo a contratação dos shows que vão ser feitos em Camanducaia, a contratação da estrutura e a contratação do material de propaganda da festa. Essa é a conta que a gente vai... o projeto foi aprovado pra gente fiscalizar esses termos que a Mocidade Independente vai se tratar de fazer.

Danilo: Como você poderia nos responder à crítica de que a Unidos do Samba estaria sendo usada como “laranja”?

Osmair: Eles estariam sendo usados como “laranja”, se eles não ficassem com nenhum benefício. Como eles estão ficando com algum benefício, que é o Baile da Rainha, chega nos próximos anos eles vão ter a sua receita pra fazer os carnavais.

Danilo: Está tudo dentro dos conformes da Lei então?

Osmair: Está tudo dentro dos conformes da Lei. Assim como foi passado o projeto que foi analisado pelo nosso jurídico, está legal.

Danilo: No ano passado, a metade dos vereadores queriam vetar o rodeio por algumas questões: A) Não houve prestação de contas das festas anteriores. B) Não ficou definido se a festa seria da iniciativa privada ou pública. C) A comissão não era formada por servidores públicos. D) Não foi mandado pelo Executivo nenhuma planilha de custos, show, palco, som, segurança, etc. Neste ano, por exemplo, foi mandado planilha de custo?

Osmair: Não.

Danilo: Quer dizer, já é um item que os vereadores do ano passado criticaram e este ano não tem também, né?

Osmair: Não. Não tem. Mas o teto foi mandado. O teto é R$ 200.000,00. Pensando nas festas anteriores, nós aprovamos o projeto justamente por causa disso. Por causa da economia que o prefeito está fazendo em relação à festa anterior, porque na festa do ano passado foram dois shows e foi investido R$ 380.000,00. Agora ele está investindo R$ 200.000,00. No máximo duzentos mil! Pode ser que dê R$ 160.000,00. O que não está se repetindo em relação ao ano passado, é o custo. Baseado na festa do ano passado, o custo está pela metade, porque são quatro shows e R$ 200.000,00. Ano passado foi investido R$ 240.000,00 e foram dois shows. A aprovação do projeto foi pela economia. Pode ser feita a festa? Pelos problemas que a gente está tendo no município, se você analisar bem, o certo era não fazer, né. Mas como não fazer a festa? É uma tradição de nossa cidade nós não podemos ficar sem a festa de peão E a população? Como vai fazer? Você sabe que a gente tem as dificuldades.

Danilo: Eu não sou contra a festa desde que não haja remanejamento de outras pastas. Porque você está usando dinheiro da Cultura, né. Então, o prefeito está cumprindo com o seu dever na Saúde, fazendo repasses. Aí eu sou a favor da festa. Agora o que eu sou contra é tirar dinheiro de outras pastas. E esta comissão que está fiscalizando é formada por servidores públicos também?

Osmair: Não. Não são servidores públicos. São pessoas que já fizeram festas outras vezes em outros mandatos e foram competentes. Aí que o prefeito nomeou essas pessoas para estarem ajudando na comissão da festa.

Danilo: Teve alguma resistência por parte de algum vereador em relação à festa deste ano?

Osmair: Não. Não teve resistência porque eles também analisaram esse custo, né. Não teve nenhuma resistência e o projeto foi unânime por dez votos.

Danilo: O prefeito tem oposição dentro da Câmara?

Osmair: Nesses sete meses que a gente está trabalhando aqui, tem oposição partidária, mas quanto a projetos e administração pública não tem oposição. Estamos todos voltados pra trabalhar por Camanducaia. Partidos, esquecemos já no dia seguinte da eleição do ano passado.

Danilo: Qual foi o critério usado para se contemplar a escola de samba?

Osmair: Então, pelo que eu vejo, como já expliquei, todo ano a prefeitura tem que investir na escola de samba para realizar o carnaval. Com certeza, com essa ajuda em que o Executivo está dando prioridade pra escola de samba, com certeza no ano que vem eles não vão estar procurando na prefeitura pra receber recursos pra fazer o carnaval. Porque eles já vão ter o recurso deles.

Danilo: Mas mesmo depois desses eventos eles vão ter que continuar prestando contas do que eles gastam?

Osmair: Então, a escola de samba ela só tem esse gasto na época de carnaval. Eles não têm nenhuma atividade antes do carnaval e com certeza esse dinheiro vai ficar guardado pra ser gasto nos futuros carnavais. A gente não sabe também se vai ter lucro ou se não vai ter lucro essa festa. Mas com certeza vai ter lucro e a intenção do prefeito é de que fazendo essa contribuição, pra eles ter o lucro pra eles não ter esse trabalho de correr na prefeitura e pedirem dinheiro de novo.

Danilo: Por que não a escola de samba ficar com a bilheteria ao invés da VR?

Osmair: Então, se a escola de samba ficar com a bilheteria, vai ter que bancar toda estrutura da festa . A estrutura da festa  fica +ou- 200.000,00. E se der prejuizo quem vai bancar?. Agora, a companhia de rodeio  veio pra cá, com a estrutura deles e se eles tiverem poucas pessoas entrando na festa, eles têm o lucro menor ! Agora se a Mocidade for querer pra eles (Mocidade), vai ter que pagar a estrutura pra se instalar lá. E se der prejuízo? E se chover? ninquém perdeu nada. E se for pouca gente? Não poderia soltar pra Mocidade uma responsabilidade dessas. Agora se a festa der prejuízo e forem quinhentas pessoas num show, vai ter o show com quinhentas pessoas. Mas quem vai ficar com o prejuízo? Mas deixando de lado de estar falando em  prejuízo vamos torcer que esta festa arrebente e torcer para não chover e ser uma das melhores festa de peão de todos os tempos! .

Danilo: Bom, obrigado pela entrevista!